QUANDO ME TORNEI HOMEM

Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino. 1 Co 13.11

Houve um momento na vida de Paulo que marcou sua passagem de criança para homem.

Também precisamos de um marco em nossa vida, um marco que afirme nosso “rito de passagem” para a masculinidade e para os propósitos de Deus.

É quando tentamos cruzar de um lado para outro que as tempestades começam. A turbulência da mudança pode ser esmagadora, pois a única coisa que o inimigo não quer que façamos é mudar.

Muitos de nós estamos presos a terríveis hábitos e estilos de vida. Parece que não conseguimos encontrar um lugar para fazer cruzar a linha de mudança, por isso vagamos sem objetivo, desperdiçando tempo e energia.

Precisamos de um marco permanente de nossa masculinidade registrado com fogo em nossa memória. Tempestades podem acontecer no meio da passagem, pois vamos incomodar o inimigo.

A mudança tem um custo. O custo de “morrer para o velho” a fim de “nascer para o novo”.

Precisamos levar nossas coisas de menino para o altar e oferecer nossa própria imaturidade, se é que pretendemos algum dia vivenciar uma experiência real com Deus. Muitos homens ficam pelo meio do caminho, não querem pagar o preço e continuam levando a vida como homens imaturos, sem direção. Precisamos celebrar nossa masculinidade desde o primeiro passo na vida adulta até o final da “fase de vovô”. Precisamos aprender a respeito de nosso corpo e receber instruções sobre nossas responsabilidades como homens dadas por Deus. Precisamos celebrar quem somos no plano de Deus.

NA TERRA PROMETIDA

Entre o vaguear no deserto das “coisas de menino” e o lugar assentado da masculinidade, todos os homens devem ter como aspiração serem plantados na terra prometida.

Para os homens, a terra prometida é um lugar de firmeza e solidez. É o lugar onde as perambulações cessam e a edificação se inicia. É o lugar onde o irresponsável se torna comprometido. Enquanto estavam no deserto, os israelitas não possuíram nada, não conquistaram nada e não adquiriram nada!

Mas, na terra prometida, os homens de Israel levantaram-se para confrontar inimigos, subjugar territórios inteiros e ganhar propriedades pela conquista. A terra prometida é onde mantemos as promessas que fizemos a nós mesmos, a nossa esposa e nossos filhos. É o lugar onde nossas palavras têm crédito. A terra prometida nos permite manter nossas promessas enquanto Deus mantém as dele!

Precisamos celebrar a masculinidade adulta, aprendendo o que ela significa e o que é necessário para sermos homens de verdade. Se celebrarmos a masculinidade com toda a força e todo o coração, e honrarmos Deus na qualidade de homens que apreciam sua masculinidade, descobriremos que as mulheres que fazem parte de nossa vida também a celebrarão!

Deus nos criou para sermos homens. Está na hora de encarar o desafio e viver à altura do destino que Deus nos deu!

O rio Jordão é o lugar onde Israel passou do deserto para a terra prometida. Era frio e fundo, mas Deus os ajudou a cruzá-lo. Esse mesmo Deus nos ajuda hoje a atravessar nossas limitações e chegar à terra prometida. Jamais devemos tentar entrar na terra prometida sem ter atravessado o rio Jordão. O seu “rio Jordão” pode ser um momento de crise que faz você rever suas prioridades na vida. Pode ser uma provação que o leve ao fundo do poço. Pode ser que seus segredos de menino ocultos sejam descobertos e expostos para que, constrangido e envergonhado, você seja obrigado a entrar no rio Jordão.

Não importa a motivação, o rio Jordão é o lugar onde você se alinha com o propósito de Deus. Ele faz morrer todas as distrações que o afastam do lugar que Deus designou como seu lugar de habitação.

1 Co 13.11 – Você perceberá que existem dois “QUANDO” neste texto. O primeiro refere-se ao “QUANDO” da infância; o segundo, ao “QUANDO” da masculinidade.

Para o homem atormentado que luta com seus sentimentos e se debate com seus impulsos, a pergunta é: “Senhor, quando conseguirei chegar ao segundo ‘QUANDO’?”. Não existe uma data mágica no calendário. Talvez você tenha passado da idade em que, em sua opinião, outros fizeram a travessia, mas isso não é motivo para se envergonhar. Muitos homens vivem com tremendo remorso e arrependimento por sentirem que é “tarde demais”. Temem estar condenados a ser menos do que homens porque perderam a chance de mudar. Isso simplesmente não é verdade!

Deve haver muitas pessoas que não querem dar a você uma segunda chance, mas Deus não é como elas. A cada manhã em que você abre os olhos e enche os pulmões com ar, Deus dá a você outra chance de mudar.

Toda a mensagem do cristianismo está permeada da possibilidade de mudança!  DE TRANSFORMAÇÃO

O rito de passagem para entrar na masculinidade não é uma questão de mudar os “quês” e os “comos” da vida. É mudar o “quem”: “QUEM” É VOCÊ! Você é a questão mais importante para Deus. Quando você não consegue mudar o que aconteceu, lembre-se de que o desejo de Deus é mudar você!

Quando a mudança pode ser efetuada?  O processo começa por dentro, quando olhamos para a face de Deus e somos transformados.

UM HOMEM SEGUNDO O CORAÇÃO DE DEUS

Davi celebrava a masculinidade. Ele é uma ótima descrição daquilo que um homem deve ser. O coração de Davi estava tão sintonizado com o de Deus, e tão livre das opiniões dos homens, que ele foi o maior adorador  de Deus na Bíblia! Davi admirava abertamente seu corpo e desfrutava das profundas paixões masculinas que Deus lhe dera. Ele agradeceu a Deus por aquilo que havia recebido e fez o máximo que pôde com aquilo que tinha à disposição.

Isso é celebrar a masculinidade. Precisamos fazer o mesmo. Sl 139.14

A vida de Davi não foi fácil, ele era o caçula, o irmão mais novo que sempre era  deixado de lado. A despeito dessas desvantagens, Davi atingiu o topo. Como? De alguma maneira ele aprendeu sobre sua responsabilidade nessas áreas enquanto estava com Deus. O que você faria se fosse um adolescente, a quilômetros de distância de qualquer tipo de ajuda e tivesse que enfrentar um urso, um leão? 1Sm 17.34,35

Ele não parou para pensar no perigo nem para fazer sofisticados planos de batalha: havia uma tarefa a cumprir, uma ovelha a salvar, e aquelas feras tinham ido longe demais!  Isso é masculinidade ao estilo divino.

A FONTE DE NOSSA FORÇA

A  força de Davi e seu treinamento vieram de saber quem é Deus.  Qual é a fonte de sua força?

Estamos na mesma situação: enfrentamos desafios que são bem maiores do que nós. Sabemos que não estamos à altura da tarefa, longe da perfeição. Então, o que fazer?

Davi não confiou na própria força, capacidade ou habilidade. Não afirmou ser um grande guerreiro ou estrategista. Simplesmente reivindicou  servir a um Deus poderoso. Davi não confiou no equipamento de outra pessoa: Deus havia plantado um tesouro no coração de Davi, e foi nisso que ele se apoiou. Ele confiou no que havia desenvolvido no próprio coração e na vida com Deus. Usou os presentes que Deus tinha dado: os materiais e ferramentas de um pastor. Um pastor de verdade, nas mãos de um Deus poderoso, pode libertar qualquer nação, igreja ou família. Deus criou o homem para subjugar e dominar, e assim todo verdadeiro homem de Deus é no fundo um pastor.

Existe algo no homem que o impele a dar sua vida pelas ovelhas que Deus entregou a ele. Davi valeu-se da verdadeira fonte da masculinidade. Sua força não vinha dos hormônios masculinos. Como Davi, a única maneira de ser um homem de verdade é ser um “homem segundo o coração de Deus”. Davi não chegou à masculinidade a partir de uma infância perfeita. Ele também enfrentou obstáculos imensos. Davi aprendeu a ser homem mantendo comunhão com Deus nas colinas e depois inspirava masculinidade por todo lugar que passava. Davi também tinha suas falhas. A despeito de sua masculinidade e de seu coração voltado para Deus, ele não conseguiu confrontar seus pecados e suas fraquezas secretas.

Se Davi tivesse confiado em outros homens piedosos, essas fraquezas poderiam ter virado fortalezas. Em vez disso, as fraquezas secretas de Davi o conduziram a seus piores fracassos com Bate-Seba e Absalão, e eles contaminaram o futuro de sua família e nação.

Todos os filhos de Davi sabiam guerrear, eram inteligentes e tinham boa educação, mas de alguma maneira o pai não lhes transmitiu a intimidade pessoal que tinha com Deus. Talvez Davi estivesse ocupado demais com o “ministério” para ocupar-se com seus filhos. Qualquer que seja o motivo desse fracasso, podemos aprender com as derrotas pessoais de Davi e também com suas vitórias militares.

A masculinidade não é mera idade cronológica que você tenta alcançar; é um estágio em seu desenvolvimento. Não precisa necessariamente ocorrer numa idade específica; precisa ocorrer num estágio particular.

Quando aquilo que no passado era sabedoria soa hoje como tolice, a mudança está no ar. Quando admitirmos que os brinquedos antigos não nos divertem tanto quanto no passado, então é hora de encarar os ritos de passagem. Essa é uma celebração que requer santificação.

Parte da celebração requer uma decisão consciente de deixar de lado as coisas de menino.

Nosso mais rico modelo de masculinidade é Jesus Cristo. Acima de qualquer outro homem, Jesus demonstrou equilíbrio naquilo que podemos chamar de “natureza dupla de um homem”, o padrão perfeito da masculinidade.

Um pré-requisito absoluto para celebrar a masculinidade é que exista um leão e um cordeiro em cada homem. É semelhante ao cordeiro: vulnerável, terno e manso, que ama sacrificialmente. Mas que também ruge como um leão, que se aviva numa luta, que é poderoso na batalha. Os homens não podem envergonhar-se de nenhum aspecto de sua natureza.

A verdadeira definição de mansidão é “força sob controle”. Só podemos celebrar a masculinidade depois de reconhecermos e andarmos nessa natureza dupla dentro de nós.

Às vezes rugimos quando precisamos falar manso e falamos manso quando deveríamos rugir!

Sua família está clamando por um homem de verdade em casa. Está na hora de você celebrar sua masculinidade e levantar-se como príncipe e homem de guerra na casa de Deus!